17/08/2010

"O Astronauta"


O ASTRONAUTA

ou Livre Associação de um Homem no Espaço

de Lourenço Mutarelli, Flavio Moraes, Fernando Saiki e Olavo Costa

Zarabatana Books - 23,2 x 30,8 cm - preto e branco - 52 páginas - capa flexível

No princípio, havia o texto de Lourenço Mutarelli. Depois vieram as fotos de Flavio Moraes, que materializaram o astronauta, o próprio Mutarelli, em uma viagem através da exploração espacial dentro de seu apartamento. E, finalmente, os desenhos de Fernando Saiki e Olavo Costa, que transformaram tudo em uma história em quadrinhos delirante e surrealista. O texto de Mutarelli – uma livre associação de idéias, misturando lembranças infantis, ciência, filosofia, literatura e história – é o ponto de partida para nos lançarmos ao espaço, guiados por Moraes, Saiki e Costa.

Uma viagem que na realidade já começamos desde que nascemos, “porque estamos e sempre estivemos no espaço”.

Lançamento:

Livraria Cultura - Loja de Artes

Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073

26 de Agosto de 2010 - das 18h30 às 21h30

24/05/2008

Suspensos II

Há pouco tempo atrás comecei a estudar o shibari (a arte de atar, bondage japonês) muito visto em fotografias do Araki. Existe um pensamento ali que me interessou. A estetização do controle e da subjugação. Vale-se de padrões estéticos e desenhos para aprisionar o corpo, conter a forma e a vontade. Mas ao mesmo tempo que constringe, pretende-se alcançar um estado de elevação sensorial. Suspender o corpo atado é um processo muito importante no ritual. Tendo a perna, este membro inferior destinado a locomoção terrestre, sustentação e suporte, suspenso por balões finalmente alça voo, adquirindo valor de asa, mesmo que por meio do látex ou por cordas de juta. Conceitos como dor e prazer estão muito próximos de vida e morte. Os balões de aniversário carregarão os ossos, até que murchem e caiam.

29/04/2008

Diagnóstico

Pouco mais de um ano sofro de esquizofrenia. Desde então não é mais possível entender realidade da mesma forma. O que entanto aparenta ser doença é na verdade decorrência de preocupações com corpo. Se para a psicologia trata-se de uma psicose na qual o sujeito perde o contato com a realidade, nesse caso trata-se de imergir em tais limites. Desde modo poder-se-ia diagnosticar esta como patologia consentida. Para que tal seja possível, deve-se primeiro estar disposto a abdicar dos benefícios do antigo estado. Frente à tela, de atualização instantânea e constante, o corpo especular não mais precisa dormir, comer, procriar ou excretar. Quem comanda esta interface é o corpo-imagem. O corpo físico torna-se obsoleto, porque não é capaz de operar nas condições do corpo-imagem. No momento em que há um entendimento entre o corpo, a máquina e a rede, surge então uma outra realidade de ordem estética e lógica e não mais biológica e física. Nesse universo “simulado” os órgãos não são mais necessários. Genitálias tornam-se imagens e não mais órgãos reprodutores. A própria questão do gênero torna-se imprecisa. Seria a simulação capaz de suplantar a sua efetiva realização?