29/04/2008

Diagnóstico

Pouco mais de um ano sofro de esquizofrenia. Desde então não é mais possível entender realidade da mesma forma. O que entanto aparenta ser doença é na verdade decorrência de preocupações com corpo. Se para a psicologia trata-se de uma psicose na qual o sujeito perde o contato com a realidade, nesse caso trata-se de imergir em tais limites. Desde modo poder-se-ia diagnosticar esta como patologia consentida. Para que tal seja possível, deve-se primeiro estar disposto a abdicar dos benefícios do antigo estado. Frente à tela, de atualização instantânea e constante, o corpo especular não mais precisa dormir, comer, procriar ou excretar. Quem comanda esta interface é o corpo-imagem. O corpo físico torna-se obsoleto, porque não é capaz de operar nas condições do corpo-imagem. No momento em que há um entendimento entre o corpo, a máquina e a rede, surge então uma outra realidade de ordem estética e lógica e não mais biológica e física. Nesse universo “simulado” os órgãos não são mais necessários. Genitálias tornam-se imagens e não mais órgãos reprodutores. A própria questão do gênero torna-se imprecisa. Seria a simulação capaz de suplantar a sua efetiva realização?

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